O clima já
estava no ar, havia alguns meses. Rafael e Aline estudavam no mesmo colégio e
na mesma sala. Durante as aulas não paravam de se olhar. No intervalo
resenhavam juntos, com a mesma galera. Em casa era Whatsapp até umas onze horas
da noite. Parecia faltar só uma oportunidade para eles irem além de uma simples
amizade.
Era uma
manhã de terça-feira quando o professor anunciou um trabalho em equipe para ser
apresentado na semana seguinte. Rafael não perdeu tempo e se juntou logo com
Aline, formando um grupinho com outros colegas.
Depois de
uma breve reunião, todos concordaram que eles poderiam ir para a casa de Aline,
na tarde do dia seguinte para resolverem tudo quanto ao trabalho. Rafael ficou
doido! Quase não dormiu naquela terça-feira. Seria a primeira vez que veria
Aline fora do colégio.
Aline
também... Não parava de pensar em como seria aquela tarde. Será que rolaria um
beijo? Ela realmente estava muito afim de Rafael, assim como ele estava afim
dela.
No fim da
aula de quarta-feira, todos do grupo foram direto para a casa de Aline. Lá
mesmo almoçaram. O feijão de Dona Maria, mãe de Aline, estava massa ! No fim do
almoço, começaram a discutir sobre o trabalho. “É terceira unidade já velho,
tem que correr atrás do prejuízo. Ta viajando é?!”, disse Henrique para
Gabriel, que queria assistir um filme antes de fazer o trabalho.
Depois de
concluírem o trabalho, Aline teve a ideia de fazer um bolo de banana e pediu
para que todos esperassem: “É só bater a massa no liquidificador, derreter o
açúcar pra fazer o caramelo e por pra assar”, disse ela. Claro que todos
concordaram em espera o bolo. Ficaram na sala conversando enquanto Aline, na
cozinha, fazia a massa.
No meio da
zoada que fazia o liquidificador, se escutou a voz de Aline: “Rafaaaaa, me
ajuda a fazer o caramelo?”, e lá foi Rafael... Com a difícil missão de ajudar a
Aline.
Lá estavam
os dois, sozinhos pela primeira vez. Não foram necessárias muitas palavras.
Rafael deu um beijo em Aline, que devolveu outro. Estava tudo esquentando,
menos o açúcar. Foi ai que apareceu Claudia na porta da cozinha: “Iae, o bolo
vai sair ou não?”. Rafael todo desconcertado, respondeu gaguejando: “Claro po,
deixa só eu por o açúcar pra derreter”. Ainda eufórico, identificou o açúcar e
colocou pra esquentar na panela.
Foi ai que o
restante da galera foi pra a cozinha e começou a resenha : “Hmmmm... Esquentar
açúcar né?!”, deram risada por alguns minutos, até que estranharam que já fazia
10 minutos que o açúcar estava na panela, e nada de virar caramelo. Foi quando
Aline percebeu : “O Rafa colocou foi sal”. Todo mundo se pocou de rir.
Foi então
que colocaram o açúcar de verdade. Rapidamente ele começou a derreter.
-“É que se
parecem vei...” Tentava se justificar, o Rafael.
-“ Só pra
quem é cego” – Gabriel brincou com o colega.
-“Mas pera
ai, se o açúcar e o sal, são sólido tão parecidos, por que é que o açúcar
derreteu tão rápido, e o sal se manteve intacto? Perguntou Claudia, indignada.
-“Rapaz... O
sal de cozinha é o Cloreto de Sódio, né ?” Henrique perguntou, como quem já
sabia a resposta.
-“Hãn ? Que
que isso tem haver, meu filho ?” Gabriel respondeu
-“Cloreto de
Sódio é um composto iônico pô . Esses compostos tem ponto de ebulição e fusão
muito altos. Lembra que o Professor Luis falou ? Explicou Henrique, sempre o
mais estudioso
-“Ahhh
rapaz... Por isso não derreteu” Rafael parecia estar entendendo.
- “Sim, e o
açúcar é o que ?” Questionou Aline.
- “Ai você
pergunta pro Google, tô por fora” Falou Henrique, irônico.
Pesquisando na internet, descobriram que a
substância presente no açúcar é a sacarose. Um composto molecular.
“Ah rapaz...
Por isso que derrete tão rápido! É um composto molecular, tem ponto de fusão
relativamente baixo.” Exclamou Henrique, entusiasmado com a descoberta.
Aquela tarde
foi especial para aquela turma, que além de comerem um delicioso bolo de
banana, perceberam o quanto a química faz parte do dia-a-dia deles. Foi mais
especial ainda, para Aline e Rafael, agora “Namorado e Namorada”.