quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Esquentando as Coisas


O clima já estava no ar, havia alguns meses. Rafael e Aline estudavam no mesmo colégio e na mesma sala. Durante as aulas não paravam de se olhar. No intervalo resenhavam juntos, com a mesma galera. Em casa era Whatsapp até umas onze horas da noite. Parecia faltar só uma oportunidade para eles irem além de uma simples amizade.
Era uma manhã de terça-feira quando o professor anunciou um trabalho em equipe para ser apresentado na semana seguinte. Rafael não perdeu tempo e se juntou logo com Aline, formando um grupinho com outros colegas.
Depois de uma breve reunião, todos concordaram que eles poderiam ir para a casa de Aline, na tarde do dia seguinte para resolverem tudo quanto ao trabalho. Rafael ficou doido! Quase não dormiu naquela terça-feira. Seria a primeira vez que veria Aline fora do colégio.
Aline também... Não parava de pensar em como seria aquela tarde. Será que rolaria um beijo? Ela realmente estava muito afim de Rafael, assim como ele estava afim dela.
No fim da aula de quarta-feira, todos do grupo foram direto para a casa de Aline. Lá mesmo almoçaram. O feijão de Dona Maria, mãe de Aline, estava massa ! No fim do almoço, começaram a discutir sobre o trabalho. “É terceira unidade já velho, tem que correr atrás do prejuízo. Ta viajando é?!”, disse Henrique para Gabriel, que queria assistir um filme antes de fazer o trabalho.
Depois de concluírem o trabalho, Aline teve a ideia de fazer um bolo de banana e pediu para que todos esperassem: “É só bater a massa no liquidificador, derreter o açúcar pra fazer o caramelo e por pra assar”, disse ela. Claro que todos concordaram em espera o bolo. Ficaram na sala conversando enquanto Aline, na cozinha, fazia a massa.
No meio da zoada que fazia o liquidificador, se escutou a voz de Aline: “Rafaaaaa, me ajuda a fazer o caramelo?”, e lá foi Rafael... Com a difícil missão de ajudar a Aline.
Lá estavam os dois, sozinhos pela primeira vez. Não foram necessárias muitas palavras. Rafael deu um beijo em Aline, que devolveu outro. Estava tudo esquentando, menos o açúcar. Foi ai que apareceu Claudia na porta da cozinha: “Iae, o bolo vai sair ou não?”. Rafael todo desconcertado, respondeu gaguejando: “Claro po, deixa só eu por o açúcar pra derreter”. Ainda eufórico, identificou o açúcar e colocou pra esquentar na panela.
Foi ai que o restante da galera foi pra a cozinha e começou a resenha : “Hmmmm... Esquentar açúcar né?!”, deram risada por alguns minutos, até que estranharam que já fazia 10 minutos que o açúcar estava na panela, e nada de virar caramelo. Foi quando Aline percebeu : “O Rafa colocou foi sal”. Todo mundo se pocou de rir.
Foi então que colocaram o açúcar de verdade. Rapidamente ele começou a derreter.
-“É que se parecem vei...” Tentava se justificar, o Rafael.
-“ Só pra quem é cego” – Gabriel brincou com o colega.
-“Mas pera ai, se o açúcar e o sal, são sólido tão parecidos, por que é que o açúcar derreteu tão rápido, e o sal se manteve intacto? Perguntou Claudia, indignada.
-“Rapaz... O sal de cozinha é o Cloreto de Sódio, né ?” Henrique perguntou, como quem já sabia a resposta.
-“Hãn ? Que que isso tem haver, meu filho ?” Gabriel respondeu
-“Cloreto de Sódio é um composto iônico pô . Esses compostos tem ponto de ebulição e fusão muito altos. Lembra que o Professor Luis falou ? Explicou Henrique, sempre o mais estudioso
-“Ahhh rapaz... Por isso não derreteu” Rafael parecia estar entendendo.
- “Sim, e o açúcar é o que ?” Questionou Aline.
- “Ai você pergunta pro Google, tô por fora” Falou Henrique, irônico.
 Pesquisando na internet, descobriram que a substância presente no açúcar é a sacarose. Um composto molecular.
“Ah rapaz... Por isso que derrete tão rápido! É um composto molecular, tem ponto de fusão relativamente baixo.” Exclamou Henrique, entusiasmado com a descoberta.



Aquela tarde foi especial para aquela turma, que além de comerem um delicioso bolo de banana, perceberam o quanto a química faz parte do dia-a-dia deles. Foi mais especial ainda, para Aline e Rafael, agora “Namorado e Namorada”.
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